<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-359691741228426028</id><updated>2011-07-28T22:32:19.499-03:00</updated><title type='text'>Solvitur Ambulando - Crônicas Grisalhas</title><subtitle type='html'>&lt;br&gt;&lt;br&gt;Este é um livro de crônicas, em curso, chamado "Solvitur Ambulando - Crônicas Grisalhas"  de Sergio Pinheiro Lopes.&lt;br&gt;&lt;br&gt;Publicarei as crônicas a medida que as escrevo. Sem data para terminar.&lt;br&gt;&lt;br&gt;
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Grato.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://flashescotidianos.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/359691741228426028/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flashescotidianos.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Superpisos</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>19</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-359691741228426028.post-1190646961510351198</id><published>2010-02-25T15:36:00.001-03:00</published><updated>2010-02-25T15:38:58.310-03:00</updated><title type='text'>O Muro OesteThe West Wall</title><content type='html'>&lt;br /br&gt;Pacientemente,&lt;br /&gt;Em seus domínios,&lt;br /&gt;Reconstruindo&lt;br /&gt;Dia por dia, pouco a pouco,&lt;br /&gt;O muro Oeste de sua modesta&lt;br /&gt;Catedral.&lt;br /&gt;Arte-Fatos&lt;br /&gt;Pessoais Mentais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;oooOOOooo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Patiently,&lt;br /&gt;In his domains,&lt;br /&gt;Rebuilding&lt;br /&gt;Day by day, little by little,&lt;br /&gt;The West wall of his modest&lt;br /&gt;Cathedral.&lt;br /&gt;Personal Mental&lt;br /&gt;Art-Facts.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/359691741228426028-1190646961510351198?l=flashescotidianos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/359691741228426028/posts/default/1190646961510351198'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/359691741228426028/posts/default/1190646961510351198'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flashescotidianos.blogspot.com/2010/02/o-muro-oeste-west-wall.html' title='O Muro Oeste&lt;br /br&gt;The West Wall'/><author><name>Superpisos</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-359691741228426028.post-3824319311038185452</id><published>2010-01-15T06:21:00.003-02:00</published><updated>2010-01-15T06:35:06.122-02:00</updated><title type='text'>Extraterrestres</title><content type='html'>&lt;br /br&gt;Gosto de cachorros. Até já tive cachorro quando era criança. Chamava-se Paddy e uma vez até, minha mãe, que trabalhava no Moinho Santista, emplacou um pulôver de cachorro com o nome dele bordado em uma propaganda. Eu gostei, ele nem ligou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gosto de cachorro, mas não tenho um. Tenho um gato, melhor dizendo, uma gata, chamada Mel. Não tenho porque minha casa não comporta e, desconfio, minha gata não suporta. É verdade que muita gente tem cachorro em apartamento, portanto seria possível ter um em minha casinha. Para isso, no entanto, teria que levá-lo passear duas vezes por dia, ou suprema humilhação, pagar alguém para fazer isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí está o xis da questão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cachorros não são como gatos. Gatos são autolimpantes e enterram seus dejetos. Cachorros não. Precisam sair às ruas para fazer suas necessidades e gastar energia. E como cachorro tem energia. Os gatos dormem dezesseis horas por dia. Antigamente não havia problema, os cães, assim como os gatos, viviam soltos, saíam a se aventurar pelas ruas e depois voltavam felizes, belos e faceiros, salvo um ou outro acidente. O Paddy, por exemplo, uma vez em que um entregador de mercearia se distraiu, bifou um quilo de filé-mignon do coitado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas divago. O que queria dizer é que se extraterrestres por acaso viessem nos espiar e nos vissem passeando cachorros pelas ruas, andando atrás deles e recolhendo seus dejetos com saquinhos plásticos, qual você acha que eles concluiriam ser a raça dominante?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os ETs provavelmente vêem as pessoas, os cachorros e seus cocôs, a desgraceira que os cães estão fazendo dessa nossa Terra e resolvem esperar outros tantos milhares anos até vir dar uma checada novamente, prá ver se já tomamos jeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na minha opinião a maior prova de que existe vida inteligente fora do nosso planeta é que eles não descem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/359691741228426028-3824319311038185452?l=flashescotidianos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/359691741228426028/posts/default/3824319311038185452'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/359691741228426028/posts/default/3824319311038185452'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flashescotidianos.blogspot.com/2010/01/extraterrestres.html' title='Extraterrestres'/><author><name>Superpisos</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-359691741228426028.post-7527049330342601350</id><published>2010-01-08T06:52:00.001-02:00</published><updated>2010-01-08T06:52:34.397-02:00</updated><title type='text'>Caetanos Velosos</title><content type='html'>&lt;br /br&gt;Outro dia li em uma crônica do Ivan Lessa na BBC Brasil duas coisas que me chamaram a atenção. Uma delas é que sempre que está para lançar um CD, um DVD ou um show o Caetano Veloso arruma uma polêmica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até aí, nada de mais. É o marketchim dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois o Ivan dá algumas informações dessas que se encontravam nos almanaques de antigamente, e essa foi a outra coisa que me chamou a atenção. Uma pulga pode pular até 350 vezes o comprimento do próprio corpo, e ele acrescenta: 'é como se um Caetano Veloso pulasse a distância de um campo de futebol'.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso me deu uma idéia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poderíamos medir as coisas em Caetanos Velosos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Supondo que o Caetano Veloso tenha 1.75 de altura, poderíamos dizer que tal casa tem 20 Caetanos Velosos de frente por 50 Caetanos Velosos da frente aos fundos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou supondo que ele pese 70 quilos, poderíamos dizer que um leãozinho pesa 1.40 Caetanos Velosos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As possibilidades são infinitas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caetanos Velosos quadrados ou Caetanos Velosos cúbicos, por exemplo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caetanos Velosos de idade, por que não, por que não, já que sabemos que ele nasceu em 1942. O Oscar Niemeyer, que está com quase 102 anos, tem 1.5 Caetanos Velosos de idade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Densidade, velocidade, duração e datação seriam outras medidas possíveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Getúlio Vargas tomou o poder A.C.V., em 1930; já Lula ascendeu à presidência D.C.V., em 2003.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É isso mesmo, com o tempo abreviaríamos tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tantos CVs quadrados, ou CV2. Tantos CVs cúbicos, ou CV3.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim por diante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desta forma ele estaria inserido na cultura brasileira de modo ainda mais indelével e permanente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seria citado com uma frequência bem maior. Estaria na boca do povo, como se diz, diariamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E não se diga que não há precedente na cultura popular brasileira: o nome dele já designa, informalmente, os sistemas de câmeras instaladas em semáforos para flagrar motoristas que os desrespeitam. Os populares Caetanos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poderíamos ir muito além.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que tal?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fica a sugestão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/359691741228426028-7527049330342601350?l=flashescotidianos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/359691741228426028/posts/default/7527049330342601350'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/359691741228426028/posts/default/7527049330342601350'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flashescotidianos.blogspot.com/2010/01/caetanos-velosos.html' title='Caetanos Velosos'/><author><name>Superpisos</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-359691741228426028.post-4622351953667331906</id><published>2010-01-02T14:19:00.001-02:00</published><updated>2010-01-02T14:44:01.643-02:00</updated><title type='text'>Uma Tarde Azul</title><content type='html'>&lt;br /br&gt;Lugar: Travessa dos Cataventos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Horário: digamos por volta de meio-dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Coloco a sacola com os livros, comprados num sebo da Rua da Praia, em cima de uma mesinha do lado de fora do restaurante. Estou suando em bicas da caminhada e peço ao rapaz na mesa ao lado para olhar a sacola enquanto finjo ir ao banheiro para desfrutar um pouco do ar-condicionado no lado de dentro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na volta, mais refrescado um tantinho, sento-me à mesinha. Logo a seguir, uma senhora que já havia visto sentada lá dentro, sai para fumar um cigarro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O dia já começara bem. Sol, cidade nova (para mim, naturalmente), arborizada, agradável e disposição para sair à caça de seus tesouros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encontrei a primeira preciosidade na figura da Regina - simpática moça que trabalha no Espaço Mario Quintana – e outras nos livros de Ivan Pedro de Martins e no diário de Cecília de Assis Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o melhor ainda estava por vir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A senhora que saíra para fumar pergunta ao rapaz se pode partilhar de sua mesa enquanto fuma. Ele acede e me convida para juntar-me a eles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi o começo de uma conversa pra lá de gostosa que levou horas, mais de duas só para nos interessarmos pelos nomes uns dos outros, tão leves e à vontade que estávamos os três.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falamos de tudo um pouco. Da educação no Brasil, passando pelos melhores lugares de Porto Alegre, pelas cidades próximas que eram agradáveis no verão, das nossas profissões (ela educadora, ele músico, embora ainda dê expediente no Banco do Brasil), dos políticos e suas politicanalhices, das respectivas famílias, da vida que passava, da que já passou e da que ainda vai passar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Marcos, por exemplo, mencionou um escritor e uma cantora que não conhecia e que bastou chegar a São Paulo para ver na imprensa, como sói acontecer. Eu é que nunca tinha ouvido falar deles. Ainda não comprei o livro do escritor – João Gilberto Noll -, mas já estou ouvindo a Maria Gadú. Bela dica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A alegria de viver e a disposição de Dona Yara me fizeram um bem danado naquele começo de tarde e me deu um saborear da cidade que teria sido impossível de outra forma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gostei barbaridade de Porto Alegre, tchê!, e não só por este auspicioso encontro casual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cidade é cheia de itens civilizados: desde faróis para pedestres que marcam o tempo que ainda resta para atravessar a rua, carros que param quando um pedestre pisa na faixa, até dispensadores de saquinhos plásticos para quem leva os cachorros para passear.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afora, é claro, a gentileza, o calor e a urbanidade dos habitantes, de que são prova meus simpáticos companheiros de mesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para não mencionar que lá é possível, para os que ainda teimam em fumar como eu, sentar em mesinhas de calçada e desfrutar do convívio das pessoas, três dos meus grandes prazeres na vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, estávamos os três usando peças azuis, donde o nome desta crônica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por conta de tudo isso terminei 2009 e comecei o vinte-dez com o espírito alegre e feliz.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/359691741228426028-4622351953667331906?l=flashescotidianos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/359691741228426028/posts/default/4622351953667331906'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/359691741228426028/posts/default/4622351953667331906'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flashescotidianos.blogspot.com/2010/01/uma-tarde-azul.html' title='Uma Tarde Azul'/><author><name>Superpisos</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-359691741228426028.post-2509439570884485116</id><published>2009-10-13T09:49:00.009-03:00</published><updated>2009-10-13T11:31:07.263-03:00</updated><title type='text'>Solvitur Ambulando</title><content type='html'>&lt;br /br&gt;Primeiro dia, três mil. Segundo dia, três mil. Terceiro dia, quatro mil e quinhentos. Quarto dia, quatro mil e quinhentos. Quinto dia, quatro mil e quinhentos, duas numa direção e uma na outra. Sexto dia, quatro mil e quinhentos, duas noutra direção e uma numa.&lt;br/b&gt;Na inversão, olhos novos. Um parque diferente.&lt;br /&gt;Sétimo dia, descanso.&lt;br /&gt;Oitavo dia, preguiça. Mesmo assim três mil, alongamento das batatas da perna e da frente das coxas. Braços também, para não esquecer como faz.&lt;br /&gt;Nono dia, três mil, mesmos alongamentos, mas mil correndo e dois mil andando.&lt;br /&gt;Décimo dia, mesma coisa, mas mil e quinhentos numa direção e mil e quinhentos noutra.&lt;br /&gt;Um casal alimentando galos, galinhas, gatos e patos. Chamando a cada um pelo primeiro nome.&lt;br/br&gt;‘Branco’, um galo. ‘Chiráu’, um gato, para ficar em dois.&lt;br /&gt;Um olhar mais curioso para os freqüentadores, numa direção e noutra.&lt;br /&gt;Décimo - primeiro dia, esta crônica.&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Solvitur ambulando&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;As coisas se resolvem andando.&lt;br /&gt;Já parece haver amanhã.&lt;br /&gt;&lt;br /br&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/359691741228426028-2509439570884485116?l=flashescotidianos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/359691741228426028/posts/default/2509439570884485116'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/359691741228426028/posts/default/2509439570884485116'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flashescotidianos.blogspot.com/2009/10/solvitur-ambulando.html' title='&lt;i&gt;Solvitur Ambulando&lt;/i&gt;'/><author><name>Superpisos</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-359691741228426028.post-3702448046971391491</id><published>2009-07-24T09:11:00.003-03:00</published><updated>2009-10-13T10:34:06.686-03:00</updated><title type='text'>Reflexões</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;Tudo é passageiro, menos o cobrador e o motorneiro. Ditado do meu tempo de criança, quando ainda havia bondes em São Paulo.&lt;br /&gt;Perde-se a juventude e o viço, perdem-se amigos, perde-se a saúde, perde-se dinheiro, perde-se tempo, perdem-se as memórias e alguns a própria memória de si e, ao fim de tantas e inumeráveis perdas, perde-se a própria vida.&lt;br /&gt;Mas o assunto da vida são as perdas. Lidar com elas. Aceitá-las.&lt;br /&gt;E a lembrança que eventualmente fica dura uma ou duas gerações e olhe lá. Pergunte a qualquer um se de seus oito bisavôs e bisavós sabe ao menos o primeiro nome. Poucos são os que lembram mais de dois ou três. Essa a nossa duração neste mundo e na memória da própria família, para não falar dos outros de fora do círculo das relações sanguíneas.&lt;br /&gt;Tudo bem, a vida pertence aos vivos. Isso todos sabem.&lt;br /&gt;Parece que ao longo da vida, quase sem perceber, vamos subindo uma colina e chegados ao topo, nos encontramos sozinhos, contemplando um passado feito de retalhos e pedaços de lembranças dispersas no tempo.&lt;br /&gt;Guardiães de uma história que só a nós mesmos interessa. E ainda assim, não muito. Há um sentimento de distanciamento do que vivemos, fizemos e deixamos de fazer.&lt;br /&gt;É importante, em não tendo sido supremos canalhas, é claro, ao menos não cultivar culpas. Além de inútil pode tornar mais sofrido o fim da jornada.&lt;br /&gt;Quem me lê pode achar que estou velhinho e olhando para o passado. Longe disso. Não estou ainda no topo da colina. Apenas observo os que lá já estão e com quem convivo, e me preparo para quando chegar a minha vez.&lt;br /&gt;Mas já é possível assistir ao processo das perdas. As inexoráveis e as que talvez fossem evitáveis. Não há como saber.&lt;br /&gt;Desde o barbeiro que, inadvertidamente, mostra o corte e deixa-o vislumbrar a calva que avança no topo da cabeça, o famoso aeroporto de mosquito, os efeitos da gravidade, na bunda, que ficará como bochechas de camelo, no papo de peru, no nariz e nas orelhas que crescem com cada vez mais pelos; até as perdas mais doídas, daqueles a quem amamos.&lt;br /&gt;Há também os tratamentos, como o ‘senhor’ e o inevitável ‘tio’ ou ‘tiozinho’, com que os jovens imortais nos brindam, como se sinal de respeito fossem.&lt;br /&gt;Idade e experiência não contam em país de jovens. Que aqui não é o Japão ou a China. Estamos mais para os esquimós, que põem os velhos para fora do iglu, para que morram de frio e inanição. Depois de certa idade, não há emprego ou ocupação para os velhos, salvo trabalho voluntário ou jogar dominó na pracinha.&lt;br /&gt;Faz pouco tempo conheci um senhor de oitenta anos, médico de profissão que ficou praticamente cego. Outro dia o vi na padaria, e fui sentar-me ao seu lado. Contou-me que pensava em se matar, que já tinha juntado os remédios próprios para uma morte sem sofrimento. Ponderei que o suicídio, embora esteja na reflexão de todos os seres humanos e possa ser um alívio, pode não sê-lo também, já que ninguém sabe o que nos aguarda do outro lado. Além disso, pune os que ficam deixando uma inevitável sensação de culpa nos que nos rodeiam. Ele virou o rosto para mim, não me vendo naturalmente, pôs a mão no bolso, tirou umas notas e pediu que dissesse a ele quais eram de que valor. Eu disse. Ele levantou-se, pagou e foi-se embora. Não o vi mais e estou preocupado com ele, embora não o conheça e não saiba onde mora. Ele que a tantos tratou e curou, não encontra propósito ou alívio para si mesmo.&lt;br /&gt;Não estou velho ainda, propriamente, é verdade.&lt;br /&gt;Mas minha alma já anda grisalha. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/359691741228426028-3702448046971391491?l=flashescotidianos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/359691741228426028/posts/default/3702448046971391491'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/359691741228426028/posts/default/3702448046971391491'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flashescotidianos.blogspot.com/2009/07/reflexoes-grisalhas.html' title='Reflexões'/><author><name>Superpisos</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-359691741228426028.post-4032485905504042338</id><published>2009-01-24T08:10:00.002-02:00</published><updated>2009-01-26T16:48:14.418-02:00</updated><title type='text'>O Dia Em Que O Rei David Desligou O Bar</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Rei David.&lt;br /&gt;Eu o chamo assim porque, à maneira de um bom rei, que tudo sabe do seu reino, o David conhece tudo e a todos neste bairro. Qualquer coisa que uma pessoa necessite, de um bom mecânico para um carro importado, passando por um excelente tapeceiro, até o pedreiro perfeito para fazer aquele conserto necessário na casa de alguém; para todos os problemas ele invariavelmente recomenda o profissional perfeito.&lt;br /&gt;O bar que freqüentamos tem uma quota desproporcional de pessoas de personalidade, se comparado com outros bares de esquina. Apelidos todos têm. Nem todos dados por mim e nem todos adotados pelos demais, mas os adotei para meu consumo pessoal, para chamá-los de acordo com sua personalidade.&lt;br /&gt;Há o Alair, que chamo de Alá, meu bom Alá, o acima mencionado Rei David, o Comandante Cleber, o Capitán, Master Berger, o Conde Frescobaldi, Sagüi e, até eu mesmo, às vezes chamado de Argentino, por conta de umas viagens ao país vizinho, ou de Frango de Macumba, apelido este dado pelo Sagüi e, este sim, adotado por todos. Quando querem me cutucar, é claro.&lt;br /&gt;Há também aquele a quem ninguém ousa dar apelido: Seu Tavares. Este o sábio inconteste do lugar. Homem de refinada educação e vida mais do que rica e interessante, é escutado e reverenciado por todos. Por ser dono de vasta cultura e ponderado em todos os assuntos, é autoridade indiscutível.&lt;br /&gt;Mas de volta ao nosso Rei David.&lt;br /&gt;Estávamos todos a conversar em um prosaico fim de tarde, quando o Rei David entra, vai direto para a caixa de força e, sem nenhuma palavra, desliga a chave geral.&lt;br /&gt;Surpresa. Cala a TV, apagam-se as luzes e desligam-se as geladeiras.&lt;br /&gt;Impassível, ele, munido de suas ferramentas, que esse é um eletricista de primeira, dirige-se para a parte de dentro do balcão e começa a consertar o display que mantém aquecidas as coxinhas, esfihas e os outros acepipes a disposição dos fregueses. Todo o processo não durou, talvez, mais do que dez minutos. Uma vez resolvido o problema, como não poderia deixar de ser, voltou à caixa de força e religou o bar.&lt;br /&gt;Ninguém deu um piu, pois o Rei David é destes que quando vê uma coisa que precisa ser feita ou consertada, não adia, vai, resolve e pronto.&lt;br /&gt;Taí. Depois desse dia passei a prestar mais atenção no personagem. Além da excelência no que faz, e de conhecer e indicar todos os que são os melhores em seus campos de atuação, o Rei David entende de muitas coisas. Não é incomum vê-lo dar uma opinião abalizada sobre os mais diferentes assuntos. É um homem modesto que não se dá ares, mas é pessoa atenta, de bom coração, sempre solidária e de finíssima inteligência.&lt;br /&gt;Como deveriam ser os reis.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/359691741228426028-4032485905504042338?l=flashescotidianos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/359691741228426028/posts/default/4032485905504042338'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/359691741228426028/posts/default/4032485905504042338'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flashescotidianos.blogspot.com/2009/01/o-dia-em-que-o-rei-david-desligou-o-bar.html' title='&lt;i&gt;O Dia Em Que O Rei David Desligou O Bar&lt;/i&gt;'/><author><name>Superpisos</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-359691741228426028.post-4125880102175305412</id><published>2008-07-08T10:51:00.006-03:00</published><updated>2008-08-07T19:12:42.892-03:00</updated><title type='text'>Hojas y Flores</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O destino: Ezeiza.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Ao invés, pousamos em Rosário.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Fomos de ônibus, não enxergando a Argentina, por 310 km, por conta da neblina.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Mas, chegamos.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Buenos Aires, Buenos Aires.... Amanhecendo com suas imensamente largas avenidas e majestosos parques vazios, mas com aquele cheirinho de limpo e de frescor das manhãs em todos os lugares.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Pallermo Viejo&lt;em&gt;. Agora, dizem alguns, chama-se&lt;/em&gt; Pallermo Soho&lt;em&gt;; para contrastar com uma tal de&lt;/em&gt; Pallermo Hollywood&lt;em&gt;, que não vi e que os habitantes mais velhos se arrenegam de reconhecer.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Pallermo Viejo&lt;em&gt;, portanto, e &lt;/em&gt;porteño&lt;em&gt;.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Hostel e não hotel.Há mais conforto em hotéis, é claro, mas mais solidão também. Mas para mim, para quem um dos fascínios da vida é conhecer outras gentes em outras terras, além da informalidade dos jovens de todo mundo que são maioria nestes lugares, é incrivelmente mais barato, já que a Josy e a mim não incomoda arrumar quarto e cama e cuidar de nossas algibeiras.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Deixei-a a dormir, às cinco da manhã, com gripe já no primeiro dia (depois melhorou e sarou), e fui ver a cidade continuar a amanhecer.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;A primeira coisa que se sente é a suave decadência da cidade. Já disse em outra crônica que gosto das coisas usadas, aquelas que exibem o uso das pessoas e a passagem do tempo.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Arquitetura antiga, terraços e mais terraços em toda parte, em pequenos prédios e casas, alguns com plantas, outros com esteiras de praia preservando a privacidade dos habitantes.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Não é minha primeira vez nesta doce cidade que sempre desmentiu, para mim ao menos, o mito da arrogância dos argentinos. Balela. Peta. São gentis ao extremo, delicados e atenciosos, esses nossos&lt;/em&gt; amigos del sur&lt;em&gt;.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Em todas as circunstâncias. Sempre achei que a civilização começa nos pequenos gestos cotidianos, no ‘com licença/&lt;/em&gt;permiso&lt;em&gt;’ e no ‘desculpe-me’ ao mais leve esbarrão involuntário.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Estamos cambialmente em vantagem neste momento. Come-se e bebe-se do bom e do melhor a preços muito moderados, para dizer o mínimo.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Devo aqui mencionar o Club Eros, com&lt;/em&gt; bife de chorizo, papas fritas &lt;em&gt;e vinho por incríveis 35 reais para duas pessoas, ali na esquina da Uriarte com a Honduras, para não mencionar a atenção e simpatia do garçom Anwar.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Quando era menino dizia-se que a Argentina tinha duas coisas que faltavam ao Brasil: garçons e goleiros. Acho que resolvemos o problema dos goleiros, estão aí o Ceni e o Marcos que não me deixam mentir. Mas perdemos de lavada em matéria de garçons.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;É inverno e não faltam folhas secas pelas calçadas.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Hojas Secas en los Paseos y Flores en los Píes&lt;em&gt;.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Explico.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;As folhas secas estalavam sob os pés ao andar e as flores nos pés me ocorreu ao olhar um lindo par de tênis floridos comprados pela Josy, e que resolvi expandir para abarcar o sentimento de leveza nos passos e a pura felicidade que nos tomou nestes dias de flanar por esta cidade plana, linda e cheia de histórias secretas a nos sussurrar nos ouvidos atentos.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Viajar é andar e andar, e enfiar o nariz curioso nos mais variados lugares. Desde a loja ‘&lt;/em&gt;Objetos Encontrados’ &lt;em&gt;até a ‘&lt;/em&gt;Boutique del Libro&lt;em&gt;’ , talvez a melhor livraria de Buenos Aires, de propriedade de Fernando e bem atendida por atenciosas vendedoras, em especial a Sol (Soledad) que não só me brindou com sua graciosa figura e desvelada atenção, como me levou a conhecer as novas bandas que tocam na noite de Buenos Aires, pelos cantos secretos de San Telmo.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Recomendo uma chamada ‘&lt;/em&gt;Plasma&lt;em&gt;’, na&lt;/em&gt; Calle Piedras&lt;em&gt;.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;É verdade que a&lt;/em&gt; El Atheneo &lt;em&gt;continua a ser o palácio de livros que sempre foi com tudo o que se queira e mais um pouco. Mas falta-lhe a modernidade e a informalidade da &lt;/em&gt;Boutique&lt;em&gt;.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Consegui achar CDs difíceis por aqui, desde Jorge Cafrune até Bola de Nieve, passando por Troilo e Pugliese, e um precioso dicionário de lunfardo que torna os tangos compreensíveis a nós que partilhamos com os portugueses e uns tantos outros gatos pingados, este código secreto que é a língua portuguesa.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Relendo acima, vi que fui de lá para cá e de aqui para ali, passeando pelas minhas impressões. Um pouco como a viagem; digamos que esta é uma crônica/diário de bordo.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Mas que fez bem a nossa alma, ah, lá isso fez, e como.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Para não mencionar&lt;/em&gt; las flores en los píes&lt;em&gt; que nos deixaram o espírito leve e um sorriso pairando feliz pelo rosto.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/359691741228426028-4125880102175305412?l=flashescotidianos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/359691741228426028/posts/default/4125880102175305412'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/359691741228426028/posts/default/4125880102175305412'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flashescotidianos.blogspot.com/2008/07/hojas-y-flores.html' title='&lt;i&gt;Hojas y Flores&lt;/i&gt;'/><author><name>Superpisos</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-359691741228426028.post-7845149264694923035</id><published>2008-02-15T10:38:00.003-02:00</published><updated>2008-02-15T10:46:28.003-02:00</updated><title type='text'>Minialetos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;Sempre fui irresistivelmente atraído pelas palavras bem urdidas, e pelas diversas formas que seu encadeamento pode tomar dentro de uma mesma língua. Mais, dentro de uma mesma cidade, e digo, até dentro de um mesmo espaço físico.&lt;br /&gt;São como dialetos para mim. &lt;em&gt;Minialetos&lt;/em&gt; talvez fosse um bom nome.&lt;br /&gt;Vou começar com um exemplo.&lt;br /&gt;Peguemos a frase:&lt;br /&gt;“Os homens não entendem as mulheres”.&lt;br /&gt;Para uma pessoa de pouca instrução, em um boteco, digamos, poderia ser expressa como um suposto dito nordestino:&lt;br /&gt;“Nem o diabo entende mulher, se entendesse não teria chifre”.&lt;br /&gt;Para uma pessoa de instrução média, em um barzinho da Vila Madalena, vá lá, poderia ser dita como um clichê:&lt;br /&gt;“Os homens são PC e as mulheres são Mac.”, parodiando o título de um famoso livro sobre o assunto.&lt;br /&gt;Já para uma pessoa de nível universitário, freqüentador da Casa do Saber, poderia ser assim:&lt;br /&gt;“Homens e mulheres, devido a diferenças que vão desde a anatomia até a genética, desde os meios culturais em que foram criados até o papel social designado a cada um por séculos de costumes, podem ter diferenças que, em alguns assuntos, os tornam incompreensíveis uns para outros.”&lt;br /&gt;Há um inegável machismo na primeira frase, uma inversão na segunda (para aqueles que sabem que Mac é melhor que PC, naturalmente), e uma terceira frase em cima do muro. Tucanês, diria o José Simão. Mas o machismo visível na primeira frase pode ser visto mais como uma forma de humor cru; a inversão da segunda como politicamente correta e a terceira, bem a terceira não cheira nem fede, é claro, além de ser a mais longa das três.&lt;br /&gt;Mas são apenas exemplos do que chamei de &lt;em&gt;minialetos&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;Com alguma atenção e treino é possível apreender, até com alguma facilidade, a se expressar em cada um deles por conversas inteiras. É como aprender outra língua, só que muito mais fácil.&lt;br /&gt;A vantagem deste aprendizado é a melhora da comunicação com as pessoas independente de sua origem, instrução ou condição social.&lt;br /&gt;Afora que é uma delícia para quem gosta de palavras como eu.&lt;br /&gt;Mas, em cidades grandes como São Paulo ou Rio, além dessas variáveis educacionais e socioeconômicas, existem também as variáveis de cultura local. Palavras que são de uso corrente em um bairro e praticamente desconhecidas em outro, ou então familiares para uma ‘tribo’ e com sentido totalmente diverso em outra.&lt;br /&gt;Vejam bem, não estou nem falando de jargões profissionais, que também estas linguagens podem ser incompreensíveis para pessoas de fora do ramo específico de atuação a que se referem.&lt;br /&gt;Estou falando de linguagens pedestres, cotidianas.&lt;br /&gt;De certa forma, o talento para falar de modos diferentes já está embutido em todos nós.&lt;br /&gt;Por exemplo, sabemos perfeitamente quando usar ou não palavrões, quando é para sermos mais ou menos formais; sabemos que o não permitido à mesa é perfeitamente aceitável em uma roda de amigos, e por aí vai.&lt;br /&gt;Então me parece que é apenas uma questão de tornar essa habilidade natural da cultura – pois que perpassa todos os segmentos sociais e econômicos – mais abrangente e inclusiva, até para melhor curtir a cidade e seus diversos sabores lingüísticos e culturais.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Menas...&lt;/em&gt;, dirão alguns.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Mas por que não, catsu?...,&lt;/em&gt; digo eu.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/359691741228426028-7845149264694923035?l=flashescotidianos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/359691741228426028/posts/default/7845149264694923035'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/359691741228426028/posts/default/7845149264694923035'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flashescotidianos.blogspot.com/2008/02/minialetos.html' title='&lt;i&gt;Minialetos&lt;/i&gt;'/><author><name>Superpisos</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-359691741228426028.post-3797897799227318660</id><published>2008-02-03T09:04:00.000-02:00</published><updated>2008-02-04T08:02:45.810-02:00</updated><title type='text'>Fila Indiana</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;Era seu caminho.&lt;br /&gt;Parava o carro na zona azul na primeira travessa depois do edifício para onde se dirigia.&lt;br /&gt;Comprava os talões na banca de jornal na esquina seguinte e até já tinha estabelecido uma camaradagem com o rapaz da banca, o suficiente para uns dedos de prosa caso chegasse adiantado.&lt;br /&gt;Passava pelas lojas da rua, pelo bar da esquina e descia fumando um último cigarro já que fumar não era bem visto pela sua analista.&lt;br /&gt;Pois é. Era para sua sessão de psicanálise que se dirigia.&lt;br /&gt;Depois da identificação pela câmera da portaria, subia até o sétimo andar, tocava a campainha e entrava.&lt;br /&gt;Seu horário era às nove horas da manhã.&lt;br /&gt;Um belo dia – gostava desse clichê em especial por dois motivos: um que um seu professor de natação sempre lhe dizia que “todo dia é bom dia, certo?”, e porque tinha uma empregada para quem todo dia era de fato um belo dia.&lt;br /&gt;Mas como eu ia dizendo: Um belo dia, por circunstâncias de agenda, teve seu horário antecipado para as oito horas da manhã.&lt;br /&gt;É importante contar o motivo pelo qual fazia análise: Ele era um dependente químico. E de várias substâncias químicas: tabaco, álcool, maconha, café e umas tantas outras menos populares.&lt;br /&gt;Acontece que ao chegar para sua sessão das oito horas, deparou-se com um cordão de pessoas serpenteando pela calçada da avenida da esquina para baixo.&lt;br /&gt;As pessoas estavam em fila indiana rente às paredes, umas de pé, outras sentadas no chão ou num degrau, outras ainda, deitadas dormindo.&lt;br /&gt;Todos sérios, quietos e diferentes entre si. Aquele retrato conhecido da pobreza urbana brasileira: maltrapilhos ou de short e sandália, um ou outro travesti sem produção, muitos alcoólatras inchados. Idade média ao redor dos quarenta anos.&lt;br /&gt;Ficou curioso, mas de imediato não viu nenhum motivo visível para aquilo, provavelmente porque estava em cima da hora e não teve tempo para investigar.&lt;br /&gt;Na saída, uma surpresa: não havia mais fila e nem mais ninguém a vista. Onde teriam ido? Seguiu avenida acima olhando para as casas até descobrir a resposta em uma pequena porta com uma plaquinha da prefeitura identificando o lugar: Centro de Convivência.&lt;br /&gt;Não resistiu, é claro, e entrou. Era um lugar que servia café da manhã – um copo de café com leite e um pãozinho francês com margarina – tinha os jornais do dia (vários exemplares), uma televisão pendurada na parede com os programas matinais e algumas mesas onde se jogava dominó.&lt;br /&gt;Lá dentro as pessoas conversavam, sem falar muito alto nem nada. O ambiente poderia até ser descrito como normal, não fosse uma ou outra pessoa isolada num canto murmurando consigo mesma.&lt;br /&gt;Nele, sequer repararam, embora estive bem melhor trajado do que todos ali.&lt;br /&gt;Um olhar daqui e dali e mais nada.&lt;br /&gt;Deu uma volta pelo lugar e saiu dali pensativo.&lt;br /&gt;Qual das duas seria a melhor solução para pessoas com problemas: a sua sessão de análise de alfaiate, cara, sofisticada, feita sob medida que freqüentava, ou aquela experiência comunal, sendo igual entre iguais, trocando idéias, comparando os problemas e as soluções que cada um encontrava para seus males?&lt;br /&gt;Antes de pegar seu carro na transversal, parou no bar e pediu uma bebida.&lt;br /&gt;O dono do bar, um português cauteloso, pediu-lhe delicadamente que fosse discreto e bebesse mais para o fundo do estabelecimento, pois não queria servir a ‘esses gajos aí, que só fazem dar problemas’.&lt;br /&gt;Ele ainda não achou uma resposta satisfatória para sua dúvida, mas ao menos já tomou uma decisão: vai se vestir com mais modéstia, entrar na fila e experimentar a convivência daquele centro.&lt;br /&gt;Está curioso para ver se esta terapia coletiva funciona para ele também.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/359691741228426028-3797897799227318660?l=flashescotidianos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/359691741228426028/posts/default/3797897799227318660'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/359691741228426028/posts/default/3797897799227318660'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flashescotidianos.blogspot.com/2008/02/fila-indiana.html' title='Fila Indiana'/><author><name>Superpisos</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-359691741228426028.post-3412372635197319280</id><published>2008-02-03T09:02:00.000-02:00</published><updated>2008-02-04T07:43:55.089-02:00</updated><title type='text'>Caros Poetas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;O que podemos esperar? Bem sei que muitas sociedades e cidades passaram por essa violência e banditismo político e, certamente, muitas outras passarão. A Chicago dos anos 30, NY dos setenta, para não falar do Velho Oeste (lá deles) e o nosso Velho Norte, a Inglaterra de Francis Drake e por aí vai.&lt;br /&gt;Se olharmos um pouco mais de cima, no entanto, veremos que todos os indicadores de qualidade de vida melhoraram ao redor do mundo nos últimos cem anos. É fato. Até os países mais miseráveis da África melhoraram seus indicadores de expectativa de vida e de mortes por mil nascimentos. Também esse estado de coisas há de passar por aqui. Sabemos que notícia, quase sempre, é notícia ruim. E isso nos assusta; introduz um viés no nosso olhar. Mas a intensa atividade vital das cidades e do país continua todo o tempo. A sociedade pensa em si mesma continuamente através de seus milhões de habitantes. Cada um contribuindo com seu pouquinho no seu cotidiano. O que falta é massa crítica para uma mudança visível na forma de cobrança de direitos através da organização da população. Mas ela virá. O Bolsa-Família do atual presidente é o equivalente ao Plano Real de seu antecessor. As pessoas votam com os estômagos e com os bolsos. Corrupção sempre houve, em todos os governos, e a população sabe disso instintivamente, pois convive com ela e dela participa, porque senão não toca a vida pra frente. Então se acomodam e aceitam. 'Faz parte', ouve-se por aí. Mas as pessoas trabalham, estudam, têm valores, ambições e desejos que são irrealizáveis na atual condição da sociedade brasileira. No fundo não concordam com a corrupção e, quando tiverem o tempo, a educação e informação de boa qualidade (e vão acabar tendo, pois por isso já brigam), vão se mover para acabar com ela, colocá-la dentro de limites mais civilizados. Por isso as cidades e o país vão mudar, tenham certeza. Aos poucos, infelizmente, mas é assim com tudo na vida: um 'cadinho' por dia. Cabe a cada um de nós, no mínimo, comportarmos-nos como achamos que todos deveriam se comportar idealmente. Só isso já é muito difícil, mas por aí também começa alguma mudança. Sei que é a estória de que se cada chinês varresse a porta de sua casa, a China seria um país limpo. Mas é verdade. Além disso, e enquanto isso, a sociedade e seus milhões de anônimos se movimentam incessantemente.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Eppur si muove&lt;/em&gt;, caros poetas, &lt;em&gt;eppur si muove&lt;/em&gt;, e o país é bem maior do que o presidente, os políticos, os corruptos todos e seus eventuais sucessores.&lt;br /&gt;Eles passarão e o Brasil não.&lt;br /&gt;As mudanças visíveis são epidérmicas, meus caros poetas, e a história é subcutânea. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/359691741228426028-3412372635197319280?l=flashescotidianos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/359691741228426028/posts/default/3412372635197319280'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/359691741228426028/posts/default/3412372635197319280'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flashescotidianos.blogspot.com/2008/02/caros-poetas.html' title='Caros Poetas'/><author><name>Superpisos</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-359691741228426028.post-5384735207688227724</id><published>2008-01-25T10:36:00.000-02:00</published><updated>2008-01-26T06:50:15.505-02:00</updated><title type='text'>Ivrit</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;Há alguns anos, quando passava pelo viaduto da Avenida Dr. Arnaldo, via uma construção sendo erguida na primeira esquina da Rua Oscar Freire.&lt;br /&gt;Aos poucos fui distinguindo a forma do enorme e improvável edifício:&lt;br /&gt;Estava sendo feito na forma de um rolo da Torá sendo desenrolada.&lt;br /&gt;Assim que ficou pronto e, evidentemente inaugurado, resolvi visitá-lo.&lt;br /&gt;Era o Centro de Cultura Judaica.&lt;br /&gt;Descobri que entre suas inúmeras atividades – palestras, exposições, coral, filmes e peças – também tinha um curso de Hebraico. E o que é melhor, a preços bem convidativos.&lt;br /&gt;Não hesitei. Matriculei-me imediatamente para ter três aulas por semana pelas manhãs.&lt;br /&gt;Excelente!&lt;br /&gt;Gosto muito de línguas e de culturas de outros povos. Mas esta me desperta uma curiosidade a mais, pois a cultura judaica está na base da minha formação e cultura cristã.&lt;br /&gt;Bem. Aprender uma língua, já per si, não é empreitada fácil e muito menos de curta duração. Considerando que o hebraico além de usar outro alfabeto, é escrito da direita para a esquerda, ficou-me evidente que a tarefa não iria ser das mais simples.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Ani lamed Ivrit.&lt;/em&gt; “Eu aprendo hebraico”, em caracteres ocidentais.&lt;br /&gt;Mas não contava com a didática impecável dos mestres e a dedicação dos meus companheiros de sala. Há os caracteres que equivalem às nossas consoantes e pontinhos estrategicamente colocados para representar as vogais. Além disso, é uma língua (aramaico modernizado, quero crer) que foi planejada para ser o mais regular possível.&lt;br /&gt;E assim, por muitas semanas, fui dedicadamente às minhas aulas de hebraico.&lt;br /&gt;Não só sentia que estava aprendendo, como até pude escolher um nome hebraico para mim (Guy) e à cada aula, aprendia uma forma verbal nova, adquiria vocabulário novo e, logo, consegui formar novas sentenças, simples, mas novas o suficiente para sentir vontade de usá-las.&lt;br /&gt;Além disso, o lugar oferece uma grande variedade de atividades culturais e interessantes, contemplando os múltiplos aspectos desta cultura milenar.&lt;br /&gt;Então, como eu dizia, comecei a aprender hebraico e estava gostando do curso.&lt;br /&gt;Mas aí aconteceu uma coisa, para mim, completamente surpreendente:&lt;br /&gt;A partir de certo momento, o ensino deixou de incluir os tais pontinhos que indicavam as vogais?!?&lt;br /&gt;O argumento didático que foi dado é perfeitamente razoável, eles ocorrem em lugares tão específicos que é possível, e até desejável retirá-los, pela simplicidade que introduzem na leitura e na escrita.&lt;br /&gt;Mas eu, teimosamente, na minha rabugice de coroa, não pude deixar de achar que isso era, além dos argumentos apresentados, uma forma de humor judaico. Pra cima de nós, pobres Góis, é claro.&lt;br /&gt;Naturalmente que não foi por esta razão que parei com as aulas, infelizmente alguns acontecimentos cotidianos impuseram-me limites e achei que uma interrupção era inevitável naquele momento.&lt;br /&gt;Devo (e quero voltar) a aprender hebraico logo mais.&lt;br /&gt;Entre outras coisas pelo humor que vislumbro na língua.&lt;br /&gt;Faz parte, bem sei.&lt;br /&gt;Afinal, quem me mandou ser Gói. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/359691741228426028-5384735207688227724?l=flashescotidianos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/359691741228426028/posts/default/5384735207688227724'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/359691741228426028/posts/default/5384735207688227724'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flashescotidianos.blogspot.com/2008/01/ivrit.html' title='Ivrit'/><author><name>Superpisos</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-359691741228426028.post-2054520954541117624</id><published>2008-01-20T11:04:00.000-02:00</published><updated>2008-01-20T11:06:03.303-02:00</updated><title type='text'>Cruzamento</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;Eu e as esquinas.&lt;br /&gt;Estava passando por uma aqui o meu bairro, quando me dei conta da cena:&lt;br /&gt;Uma  senhora, já de certa idade, meio gorda, subia a rua em direção à faixa de pedestres no cruzamento.  Parei para assistir o desenrolar da história.&lt;br /&gt;Esse cruzamento em especial está naquela fase pré-semáforo. Explico. Já tem faixas de pedestres nas quatro travessias possíveis e já é difícil de distinguir qual das duas ruas, ambas de mão única, é a preferencial. Sendo assim, a maioria dos carros diminui a velocidade antes de passar por ele, embora o trânsito seja intenso.&lt;br /&gt;Mas voltemos à senhora.&lt;br /&gt;Ela chegou à faixa e principiou a atravessá-la com imensa dificuldade de locomoção. Usava uma bengala e movia-se bem devagar.&lt;br /&gt;Nisto, dois alegres cachorros, ambos jovens, com coleira e bem tratados, começara a atravessar a rua na direção inversa a da senhora e, claro sem respeitar completamente a faixa. Atravessaram na diagonal.&lt;br /&gt;Pois bem.&lt;br /&gt;A senhora parou de repente e ficou nitidamente preocupada que algo pudesse acontecer aos cães. Parou e os observou atravessar até que estivessem seguros do outro lado. O mais surpreendente para mim foi que ela evidentemente não se preocupou consigo. Apenas parou e observou. Não olhou para ver se vinha carro rua abaixo em sua direção ou se alguém iria virar a esquina de repente.&lt;br /&gt;Depois continuou, laboriosamente, sua caminhada. Eventualmente chegou a um carro e, vagarosamente, nele entrou. Primeiro colocou a bengala no banco detrás, apoiou-se na porta e no banco para conseguir sentar-se e, finalmente, botou as pernas para dentro. Minutos inteiros se passaram até que ligasse o carro e começasse a manobrar para sair da vaga.&lt;br /&gt;Ela manobrava o carro como se nunca a houvessem ensinado a sair de uma vaga entre dois veículos antes. Isto é, virava as rodas em direção à rua, avançava até praticamente tocar no carro da frente, virava a direção completamente para o outro lado e aí, ao invés de dar ré, como seria lógico, não fazia nada. Esperava um pouquinho, virava a direção completamente de novo e só então dava ré.&lt;br /&gt;Olhei a manobra com curiosidade, pois imaginei que daquele jeito não sairia nunca da vaga, pois só ia para frente e para trás sem mudar a posição inicial do carro.&lt;br /&gt;Engano meu.&lt;br /&gt;Depois de incontáveis manobras destas, finalmente, acredite, o carro saiu da vaga. E assim que saiu foi-se embora dirigindo lampeira, com uma destreza na direção completamente oposta a sua dificuldade em andar.&lt;br /&gt;O  cuidado com a segurança dos cachorros versus o descuido com si mesma. A extrema dificuldade de locomoção pedestre e  a baliza ilógica versus a habilidade e desembaraço na direção.&lt;br /&gt;Para mim o ser humano é sempre uma surpresa. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;É só uma questão de prestar atenção.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/359691741228426028-2054520954541117624?l=flashescotidianos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/359691741228426028/posts/default/2054520954541117624'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/359691741228426028/posts/default/2054520954541117624'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flashescotidianos.blogspot.com/2008/01/cruzamento.html' title='Cruzamento'/><author><name>Superpisos</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-359691741228426028.post-4034689386896476156</id><published>2008-01-20T11:02:00.000-02:00</published><updated>2008-01-22T08:36:58.462-02:00</updated><title type='text'>O Patriarca da Praça</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;Conheço a Praça do Patriarca desde menino.&lt;br /&gt;Meu pai, durante uma época, teve escritório em um edifício imponente defronte a ela e não era incomum ir visitá-lo quando ia para a “cidade”, como se dizia então.&lt;br /&gt;A praça ficou na minha memória por dois motivos bem diferentes:&lt;br /&gt;Um é que o pai de um amigo de escola, o Peter Tuch, tinha uma loja tradicional ali: a Casa Cisne.&lt;br /&gt;O outro porque houve um grande assalto a um banco lá localizado. A primeira vez que li um jornal de fio a pavio foi a edição com a história do assalto ao Banco Moreira Salles. Acompanhei fascinado o desenrolar das investigações nos dias seguintes. Eu, naturalmente, levava umas boas duas horas para ler o jornal, isso sendo que provavelmente pulava seções que nada me diziam. Mas foi desta ocasião em diante que adquiri o hábito de ler jornal.&lt;br /&gt;No fim, haviam sido uns gregos, se não me falha a memória, que tinham cometido o assalto e escondido o produto em tonéis.&lt;br /&gt;Enfim, esta convivência com a praça me deu vontade de saber melhor quem era o tal do Patriarca que a nomeava com direito a estátua e tudo.&lt;br /&gt;O chamado “Patriarca da Independência” José Bonifácio de Andrada e Silva nasceu em Santos e morreu em Niterói.&lt;br /&gt;Foi figura central da Independência do Brasil. Graduado pela Universidade de Coimbra em 1787, assistiu a Revolução Francesa em primeira mão, pois estava na França em 1790, no seu princípio. Era um naturalista, poeta e maçom. Interessava-se por assuntos que tivessem alguma utilidade. Passou 40 dos seus 75 anos fora do Brasil. Foi banido e exilado. Foi o primeiro brasileiro a ser Ministro do Reino. Organizou a ação militar contra a resistência a separação de Portugal. Foi tutor de D. Pedro II. Foi defensor dos índios e abolicionista. Era um admirador de Rousseau. Das três cartas que D. Pedro recebeu às margens do Ipiranga, Uma, das Cortes, diminuía seus poderes. As duas outras, de José Bonifácio e da Princesa Leopoldina, o instavam a desobedecer as Cortes de Portugal. Foi autor de inúmeros livros e era muito habilidoso com as palavras. Abaixo exemplos das suas famosas “&lt;em&gt;Bonifrases&lt;/em&gt;”, como ficaram conhecidas algumas de suas opiniões:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- “Nas antigas monarquias absolutas da Europa há os contrapesos da força da civilização e da força dos costumes e da moral pública – mas que há no Brasil? Nada disto”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- “De quem não sabe amar ou aborrecer, ninguém tem que esperar ou temer”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- “A razão porque nunca farei fortuna em Portugal é porque não sei digerir afrontas, e sofrer revezes injustos a sangue-frio”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- “Os políticos da moda querem que o Brasil se torne Inglaterra ou França; eu quisera que ele não perdesse nunca seus usos e costumes simples e naturais e antes retrogradasse que se corrompesse”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- “Se não me foi possível dar a última mão de estuque ao magnífico salão nacional, ao menos embocei a parede”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- “No Brasil a virtude, quando existe, é heróica, porque tem que lutar com a opinião e o governo”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;A Praça mudou muito desde a minha meninice, não mais existe ali a Casa Cisne e nem o Banco Moreira Sales existe mais com esse nome.&lt;br /&gt;A estátua, nem sei mais se ainda está por lá.&lt;br /&gt;Já o Patriarca, como se vê pelas suas frases, continua bem atual.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/359691741228426028-4034689386896476156?l=flashescotidianos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/359691741228426028/posts/default/4034689386896476156'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/359691741228426028/posts/default/4034689386896476156'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flashescotidianos.blogspot.com/2008/01/o-patriarca-da-praa.html' title='O Patriarca da Praça'/><author><name>Superpisos</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-359691741228426028.post-499353548960181313</id><published>2008-01-20T11:00:00.000-02:00</published><updated>2008-01-20T12:03:20.541-02:00</updated><title type='text'>Blogosfeira</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Tenho ido, quase todas as manhãs, a blogosfeira.&lt;br /&gt;Assim que recém-chegada a manhã, parto em busca do que está dando sopa, em termos de cultura e entretenimento, na produção humana, em blogs, sítios genéricos, sítios de vídeo e de poesia, de literatura e pintura e nem sei mais o que. Do bem-feito ao bem-sacado, na minha modesta opinião, é claro, nas mil performances artísticas possíveis de serem acessadas e curtidas no vasto mundo da informação disponível hoje em dia.&lt;br /&gt;Vivemos em um mundo ‘Koyaanisqatsi’, se é que me entendem, tudo em velocidade alucinante, novas tecnologias pipocando aqui e ali, quase que diariamente.&lt;br /&gt;Além disto, de uns tempos para cá, a mídia, mais uma vez, se tocou que podia cevar no medo e pânico ancestral que temos do fim do mundo. Agora é o aquecimento global, a ameaça atômica dos anos 00. Para não falar neste 00 aí que, para alguns, já é apavorante em si mesmo.Há um receio de extinção no ar.&lt;br /&gt;Isto está em toda parte, muito embora o mundo já tenha acabado diversas vezes ao longo da história, como bem retrata Otto Friedrich em seu “Fim do Mundo”, publicado no Brasil pela Record - 2001, 476 páginas. Do saque de Roma a Auschwitz, da Santa Inquisição ao terremoto de Lisboa.&lt;br /&gt;Quando é chegada a hora e a vez de enfrentar a própria loucura, sempre parece ser a última.&lt;br /&gt;Percebe-se – talvez até incentivada pelo estresse vigente – uma ansiedade, uma inquietação nos olhares, nos gestos nervosos e nos inconscientes das pessoas.&lt;br /&gt;No entanto, é a primeira vez na história que está disponível, ao alcance das mãos, literalmente, tal quantidade de informação.&lt;br /&gt;Cinqüenta séculos de cultura na ponta dos seus dedos.&lt;br /&gt;Mas, de volta à prosaica blogosfeira. A dificuldade é encontrar a informação, saber quais perguntas fazer, ou como na piada:&lt;br /&gt;‘Se o amor é a resposta, qual diabos é a pergunta?’&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É preciso equipar-se com uma espécie de ‘detector de bobagens’, mas este é um equipamento que se obtém a custa de muita leitura, de muita passagem por material ruim, principalmente.&lt;br /&gt;Mas, arrogante que sou, me aventuro à caça de tesouros no que chamo de blogosfeira. E, como em toda feira, nem tudo são achados, há muita xepa. Mas quando os encontro, quando considero que é do interesse dos que acessam meu blog, embora não saiba exatamente quem são essas pessoas, os posto.&lt;br /&gt;Assim vou construindo, também, uma história pessoal, um registro dos muitos belos e dos muitos veros que encontro pelo caminho.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/359691741228426028-499353548960181313?l=flashescotidianos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/359691741228426028/posts/default/499353548960181313'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/359691741228426028/posts/default/499353548960181313'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flashescotidianos.blogspot.com/2008/01/blogosfeira.html' title='Blogosfeira'/><author><name>Superpisos</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-359691741228426028.post-3731878765577751154</id><published>2008-01-12T06:38:00.000-02:00</published><updated>2008-01-13T08:22:02.707-02:00</updated><title type='text'>Outras Casas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Gosto de casas. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quando eu era menino, havia mães de amigos ou de conhecidos que eram tão obcecadas com limpeza, que nos obrigavam a tirar os sapatos e andar deslizando sobre recortes de tapete, para não arranhar o parquete, o assoalho, como se diz hoje em dia. Algumas chegavam ao paroxismo de cobrir os sofás e poltronas com plástico, para que não estragassem. Conheci também fanáticos que faziam o mesmo com bancos de carros. Lembro de sentir que havia uma inversão aí: as pessoas é que se adaptavam às coisas e não o contrário, como seria natural.&lt;br /&gt;Prefiro casas gastas pelo uso. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não me incomodam as paredes descascando aqui e ali, as manchas levemente escuras produzidas pelo calor das lâmpadas nas paredes e nos tetos. Até gosto. É sinal de casa habitada por gente há muito. Com histórias acontecidas entre os acenderes e os apagares dos dias e das luzes. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sofás puídos, marcas de brasa de cigarro ali e acolá, poltronas destruídas por unhas de gatos ou mordidas de cachorros, tapetes manchados, marcas de copos em mesas – tudo ligeiramente disfarçado, decorado melhor dizendo, com um quadro, uma colcha, um porta-copo, uma tapeçaria, ou o que quer que seja. Gosto até de torneira que pinga (politicamente incorreto, bem sei), e marcas em batentes indicando o progresso do crescimento das crianças. Livros e discos empilhados fora do lugar. Jornais lidos. Tudo isso dá vida. Mostra que há moradores, que a vida transcorre com seus mil pequenos desastres seguidos de suas pequenas e cotidianas imprecações. Afinal, as coisas são feitas para serem usadas. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Compro coisas usadas com muita freqüência. Na verdade, quase que só. Mobílias, roupas, coisas de cozinha, objetos que acho curiosos, como uma bengala espanhola ou um telefone militar, por exemplo, comprei ao longo dos anos. Procuro sempre pelo que me diz alguma coisa, que se relacione com alguma parte de mim ou que ache particularmente belo ou interessante. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Carro novo, que me lembre, comprei pela última vez em 1976. Assim mesmo porque meu pai estava por trás da história. Acho bobagem comprar carro zero. Um semi-novo, vá lá, tem-se que procurar, levar a mecânico e funileiro para avaliar o estado, discutir preço e tal, mas podem ser, e freqüentemente são, ótimos. Com 10 ou 20 mil quilômetros; além de mais baratos já vêm amaciados. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas, de volta às casas. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sabem essas casas modernas, construídas e decoradas por medalhões, com tudo no seu lugar perfeito, simétricas, bem planejadas, nada destoando? Não parecem casas de vitrine? Estáticas como fotos. Para mim é essa a impressão que passam. São de vários estilos, é claro, e existem até aquelas que são decoradas propositadamente, como se os objetos, móveis, tapeçarias tivessem sido escolhidos pelos donos ao longo da vida.&lt;br /&gt;Mas logo, o que é falso se revela.&lt;br /&gt;Pelo modo como as coisas se comportam. Em casas habitadas, as coisas migram. Mais ou menos, conforme o gosto do dono, mas migram. Naquelas outras nada migra. Nada troca de lugar. Os quadros são medidos cuidadosamente para as paredes onde provavelmente vão morar para sempre. Têm de combinar com os móveis, com o ambiente programado e por aí vai. São casas opacas e não têm histórias. Nada de aconchego, de passagem humana por lá. Não sei vocês, mas a mim não deixam à vontade, esta a verdade. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Jardins também podem ser planejados hoje em dia. Não mais aquele jardineiro da vizinhança, seu Fulano, que ia combinando as plantas de acordo com a disponibilidade e o gosto do freguês. E que, de tanto em tanto tempo, virava um mato só e era preciso esperar seu Fulano passar para dar um jeito, isso se coubesse no orçamento do mês. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Gosto de freqüentar e morar em casas assim, cheias dos disfarces, das histórias, dos objetos migrantes. Quadros, por exemplo, quando migram, são incríveis. Dão uma nova perspectiva a qualquer lugar. Instituem novos ângulos, novas vistas, novas belezas na vida de todo o dia. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Afinal vivemos em um mundo bem usado, e muito. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Existem lugares na minha cidade hoje em dia, que só reconheço por uma velha grade de bueiro, por paredes velhas descascando, ou por uma casa de gente antiga, que ou não liga mais para estas coisas, ou então não tem energia ou dinheiro para mexer nelas. Fazem-me bem. Saber que são usadas há muito tempo, que muitos passaram por ali. Gosto de lugares assim, com o chão gasto pelos passos, poltronas afundadas por horas de leitura agradável e quadros itinerantes.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Também eu pertenço ao universo dos usados. A casa da minha alma, meu corpo, traz as marcas e os arranhões da vida escritos em seu assoalho, mostrando, ao menos para mim, a minha vida que passou e vai passar. Bem mal usada, por vezes, esta casa que sou. Mas bem usada também, pois que já viu muita festa, já teve muitos visitantes e, embora sempre a pedir reparos como qualquer casa antiga que se preze, é organizada e agradavelmente usada naquilo que realmente importa. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Como disse, tenho preferëncia por casas usadas.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/359691741228426028-3731878765577751154?l=flashescotidianos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/359691741228426028/posts/default/3731878765577751154'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/359691741228426028/posts/default/3731878765577751154'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flashescotidianos.blogspot.com/2008/01/outras-casas.html' title='Outras Casas'/><author><name>Superpisos</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-359691741228426028.post-2955244029935776934</id><published>2008-01-02T07:44:00.000-02:00</published><updated>2008-01-02T07:45:12.983-02:00</updated><title type='text'>Uma Casa de Amigos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;Quando se fala em casa de amigos, pensa-se logo nos lugares onde se freqüenta para um drinque, um jantar ou um bate-papo. Mas não é dessas que quero falar.&lt;br /&gt;Quando recebi uns caraminguás de uma herança uns anos atrás, comprei uma pequena casa na Pompéia, tradicional bairro de São Paulo. Estava precisando urgente de uma reforma. Pus mãos à obra. Depois de muitos meses, com a reforma afinal terminada, me dei conta de que muitas das coisas que foram feitas, foram feitas por sugestão e com a contribuição de amigos.&lt;br /&gt;O mais importante é o Paulo Rabaça, uma pessoa que conheci como locador da casa onde morava antes. Ele checou a estrutura, engenheiro que é, pediu ao Giba que se esmerasse no janelão da frente, providenciou o forro de Angelim, os armários do quarto e da cozinha, minha mesa de trabalho, a estante de livros, tudo feito na sua bem azeitada marcenaria. Isso sem contar o sem número de excelentes profissionais de primeira linha que recomendou. Ele é uma pessoa singular e das mais generosas que conheci. Ajuda muitas pessoas no bairro, umas que merecem e outras que nem tanto, mas mesmo assim estende a mão sem deixar que a esquerda saiba o que faz a direita, como manda a Bíblia. Uma vez até, me deu de presente parte de uma pequena pizzaria no Alto da Lapa, mas essa história depois eu conto.&lt;br /&gt;A frente recuada para dar lugar a uma porta lateral foi idéia do Stefano Ferretti, um diretor de arte com uma magnífica noção de espaço. Deu charme à frente da casa. A colocação de floreiras ao lado da caixa d’água, de modo que cobrissem a torre de vegetação foi idéia do Salum. Já o recorte de tijolo aparente na sala foi idéia do meu filho, inspirado por uma parede de uma casa no interior. A combinação de cores é sugestão do Thomas Brixa, amigo assíduo e leal e, na minha opinião, o melhor restaurador de arte da cidade. A grade de ferro que protege a torre da caixa d’água foi obra do Orlando, um ex-motoboy da pizzaria agora transformado em dono de uma pequena serralheria.O terraço atrás da casa, o famoso “puxadinho”, já que o lado português fala alto em minh'alma, não só dá vista para um lindo jardim no meio do quarteirão como também me dá de presente o pôr-do-sol. Este foi idéia do Maurício, um ator e poeta, vizinho de parede, amigo novo que veio junto com a casa e que tristemente se foi há poucos anos.Muitas das obras de arte na casa são trabalhos ou presentes de amigos: Stefano Ferretti, Roberto Aguilar, Rubens Mattuck, Elifas Andreato (amigo de minha mãe, na verdade), Sebastião Maria, Thomas Brixa, John Howard, Roberto Campadelo, Carlos Takaoka e Bete Beleza, entre tantos outros.&lt;br /&gt;E os que fizeram a reforma de fato: Toninho, Alemão, Adilson, Reny e Gilmar, todos deram idéias e contribuíram com seu trabalho e sua disposição para a casa ser o que é.&lt;br /&gt;Sei dizer que esta é uma casa que começou com o pé direito, com a amizade e o bom humor como parte da mistura, junto com o cimento, a areia e a água. Ao andar por ela vejo em cada pedaço um pouco da mão e do tempo de cada um. Uma construção quase sempre transcende nossa própria época e, às vezes, sinto a tentação de sonhar com o que vai passar dentro dela, entre essas paredes, os amigos que vão respirar e conviver nesses espaços, perambular por esses cantos. Mas é também, confesso, um amor recente e ainda em fase de namoro. Surpreendo-me com seus barulhos e seus ângulos de luz, suas correntes de vento e seus humores, com o nascer do dia e com o anoitecer. Ainda estou aprendendo a andar por ela à noite sem acender a luz. Essa minha casa preciosa foi e será feita de muita coisa, além de pedra e de cal. Foi e será feita de suor, alegria, trabalho, amizades, vida e gratidão. Nada é mais sólido do que isso.É e será, como uma moradia deve ser, uma casa de amigos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/359691741228426028-2955244029935776934?l=flashescotidianos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/359691741228426028/posts/default/2955244029935776934'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/359691741228426028/posts/default/2955244029935776934'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flashescotidianos.blogspot.com/2008/01/uma-casa-de-amigos.html' title='Uma Casa de Amigos'/><author><name>Superpisos</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-359691741228426028.post-7465106991083724225</id><published>2007-12-18T07:05:00.002-02:00</published><updated>2009-01-07T07:44:31.313-02:00</updated><title type='text'>O Bife</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Personagens&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;Ferrari&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;Raul&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;David&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;Dedé&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;Frequentadores&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Cena 1 – Clube/fim da manhã&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Terraço de clube com vista para pista de atletismo ao redor de campo de futebol. Raul tira a camiseta, senta em uma cadeira e começa a tirar os tênis. Ferrari chega, carregando uma maleta de ginástica e a coloca em cima de uma mesa. Olha para a pista.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;Ferrari&lt;/strong&gt;: E aí, Major? Tá quieto hoje aqui.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;Raul&lt;/strong&gt;: Salve a Maravilha de Maranello.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;Ferrari&lt;/strong&gt;: Pô, rapaz, isso aqui tá vazio.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;Raul&lt;/strong&gt;: Só tem aquele velho que está correndo como um louco. (acabando de tirar o tênis com a ponta dos pés. Suspira e se dobra para tirar as meias fazendo uma careta)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;Ferrari&lt;/strong&gt;: Que velho? O único velho que tá correndo é aquele ali super devagar, imbecil... (Abre a maleta e começa a mexer dentro)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;Raul&lt;/strong&gt;: Não falei que ele estava correndo rápido. Falei que estava correndo como um louco. Olha a cabeça do cara. Ele fica com ela de lado e com aqueles bracinhos encolhidos parecendo um canguru.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;Ferrari ri.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;Ferrari&lt;/strong&gt;: Já correu?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;Raul&lt;/strong&gt;: Me arrastei por uns 15 minutos pela pista. Estou com uma puta ressaca.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;Ferrari&lt;/strong&gt;: Guinnegan’s de novo?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;Raul&lt;/strong&gt;: Você não acredita. Se eu tivesse mais quinze segundos de energia, usava para me matar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;Ferrari&lt;/strong&gt;: Que horas você saiu de lá?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;Raul&lt;/strong&gt;: Três, quatro, mais ou menos. Por que você não apareceu?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;Ferrari&lt;/strong&gt;: Tava sem saco pra sair de casa.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;Raul&lt;/strong&gt;: Você precisava ver o David. O cara estava enlouquecido ontem. Quando cheguei, ele já devia estar lá há horas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;Ferrari&lt;/strong&gt;: Ele provavelmente mora lá. Eu só vejo o cara lá. Acho que ninguém nunca viu o David de dia, fora da porra do bar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;David&lt;/strong&gt;: Se não é o Grande Raul. O famoso Luar ao contrário.Raul: E aí David? (ele pronuncia deivid, como se fosse em inglês)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;David&lt;/strong&gt;: Você viu o que aquele gênio do Mainardi falou do Furtado?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;Raul&lt;/strong&gt;: Que Furtado?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;David&lt;/strong&gt;: Aquele cara que fez O Homem que Copiava. O Mainardi disse que ele é o Amaral Neto dos petistas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;Raul&lt;/strong&gt;: O Mainardi é engraçado. Mete a ronca em todo mundo. Pelo menos dá pra ler, diferente do resto da revista. Não consigo ler aquela porcaria. Fora que o cara é rico e bonitão.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;David&lt;/strong&gt;: (Para o barman) Dedé, serve dois uísques aqui pra gente. Bonitão é, boneca? Pra mim o Mainardi é sexy como um sapo mijando. Já a relação do resto da revista com a verdade é a mesma que um cocker spaniel tem com um dia de chuva. De vez em quando você vê um cocker spaniel na chuva, mas não é uma coisa que você cruza a toda hora. Não dá pra contar com isso.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;Raul&lt;/strong&gt;: É uma espécie de puteiro intelectual. Isso a imprensa em geral.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;David&lt;/strong&gt;: Jornalismo é um vício pior que heroína. Um meio cheio de bêbados, tipinhos venais e escritores frustrados. Uma gente esquisita. Qualquer peixe que se dá ao respeito se recusa a ser embrulhado em qualquer jornal publicado no Brasil.Raul ri e pega seu uísque do balcão e dá um gole. David já está com seu na mão e bebe também.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;Raul&lt;/strong&gt;: Jornalismo é a manha de transformar em dinheiro tudo o que você não gosta e todos seus inimigos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;David&lt;/strong&gt;: Vamos pegar aquela mesa ali (e aponta para uma mesa perto da porta).Eles se dirigem para a mesa dando uma olhada ao redor.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;Raul&lt;/strong&gt;: Alguma coisa que preste?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;David&lt;/strong&gt;: Têm umas secretárias lá em cima comemorando aniversário. Você vê quando for mijar. Aliás, outro dia eu estava mijando e um cara falou de dentro do box: ‘Ah, mijar é a melhor coisa do mundo’. Falei pra ele que das duas uma: ou eu não sabia mijar ou ele não sabia trepar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;Entra um casal e os dois olham a bunda da moça discretamente.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;Raul &lt;/strong&gt;(rindo): Pior são aqueles caras que ligam pra patroa do banheiro dizendo que ainda estão trabalhando.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;David&lt;/strong&gt;: Cara, tá todo mundo ficando louco. Só cruzo com pirado o dia inteiro.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;Raul&lt;/strong&gt;: É que você bebe o dia inteiro, David. É você que tá bêbado. As pessoas são normais.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;David&lt;/strong&gt;: Que bêbado? Eu bebo pra agüentar esse mundo, Raul. Eu bebo pra ficar ruim mesmo. Se eu quisesse ficar bom, eu tomava remédio. E tem mais, ninguém é normal. Você, por exemplo, é um puta anormal.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;Raul&lt;/strong&gt;: Pacto de sangue entre anormais. Dava uma boa manchete.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;Passagem de tempo. Fade out e fade in. Horas depois. Mesa desarrumada, os dois mais desarrumados. Cinzeiro cheio, bolachas de cerveja, maço de cigarros vazio. O bar bem mais cheio de gente, aquele zun-zun de conversa e ar enfumaçado.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;David&lt;/strong&gt;: Você conhece a vingança do bife?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;Raul &lt;/strong&gt;(sorrindo): Que vingança do bife?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;David&lt;/strong&gt;: Uma vez um filho da puta de um cara que eu conhecia, um tal de Marcelo, deu uns tecos numa namorada minha pelas minhas costas e muito tempo depois eu fiquei sabendo. Falei, mas que filho da puta! Vou aprontar a do bife pra cima dele. Fui no açougue e comprei um puta dum bifão de coxão duro, desse tamanho...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;Fade out com o som da conversa diminuindo no background e o burburinho aumentando.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Cena 3 -Fade in (de volta ao bar com Ferrari acompanhando interessado David contando a história do bife) &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;David &lt;/strong&gt;(fazendo o tamanho do bife com as mãos): ...um bife deste tamanho de coxão duro.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;Ferrari&lt;/strong&gt;: Catsu que você fez com o bife?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;David&lt;/strong&gt;: Você não vai acreditar. Coloquei o bife embrulhado no bolso do paletó e fui visitar o desgraçado.Conversa vai, conversa vem, aproveitei uma distração do sujeito, fui até o carro dele, na garagem, e prendi o bife entre as molas do banco dianteiro.Fica uma coisa impossível de achar. Bom, bastava fazer um calorzinho, ou trancar o carro que o fedor ficava insuportável. O cara lavou o carro de tudo quanto é jeito, mandou até tirar os bancos para lavar completo, mas não adiantou nada. Bastava fazer sol que, pimba, lá vinha o fedor impossível. Pra resumir, o cara acabou tendo que vender o carro, e de janelas abertas.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;Riem os três da vingança do bife.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/359691741228426028-7465106991083724225?l=flashescotidianos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/359691741228426028/posts/default/7465106991083724225'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/359691741228426028/posts/default/7465106991083724225'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flashescotidianos.blogspot.com/2007/12/par-de-trs.html' title='O Bife'/><author><name>Superpisos</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-359691741228426028.post-5955449423610769442</id><published>2007-12-16T10:32:00.000-02:00</published><updated>2007-12-16T10:33:07.399-02:00</updated><title type='text'>03h14min – Quarta-feira</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;Saiu de dentro do lago Paranoá vindo da noite escura.&lt;br /&gt;Vestia um macacão de borracha, snorkel, máscara e um relógio preto de mergulhador, no pulso direito.&lt;br /&gt;Ficou agachado por uns instantes na margem deserta observando atentamente uma casa.&lt;br /&gt;A seguir tirou a máscara, o respirador acoplado, e a roupa de borracha negra. Guardou os apetrechos junto a um arbusto.&lt;br /&gt;Abaixo do calção, também negro, preso à coxa direita, trazia um punhal embainhado.&lt;br /&gt;Com passadas largas e silenciosas foi em direção a casa, entrou pelo jardim e se deteve por um minuto junto a uma porta de vidro lateral. Abriu-a com aparente facilidade.&lt;br /&gt;Uma vez dentro da mansão, dirigiu-se sem hesitar para um cômodo no segundo andar. No silêncio da noite, abriu felinamente a porta e aproximou-se da cama. Os pêlos do tornozelo dele grudaram na colcha de chenile.&lt;br /&gt;Ele olhou fixamente para a figura que dormia na cama enquanto sua mão se dirigia ágil para o punhal.&lt;br /&gt;Isso vai ser um prazer, pensou.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/359691741228426028-5955449423610769442?l=flashescotidianos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/359691741228426028/posts/default/5955449423610769442'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/359691741228426028/posts/default/5955449423610769442'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flashescotidianos.blogspot.com/2007/12/03h14min-quarta-feira.html' title='03h14min – Quarta-feira'/><author><name>Superpisos</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry></feed>
